Comentário aos dez mandamentos da Campanha do Quilo. 

Comentar, explicar mensagens de teor superior (a autoria dos 10 mandamentos da campanha do quilo é a atribuída ao espírito Bezerra de Meneses que os teria ditado a Elias Sobreira) pode ser benéfico por fundamentar o pensamento do instrutor, mas pode também resultar em restrição ou mesmo em desvio do significado. 

Acredito entretanto que nossos comentários possam realçar algum alicerce dos 10 mandamentos. Vale registrar que comentários como esses são efetuados nas reuniões preparatórias da campanha e poderão ser feitos por todos os participantes da campanha e até por pessoas que não façam a campanha. 

Esses comentários são sempre bastante breves, duram de 1 a 2 minutos. 

Perdoar, a todo o momento, qualquer ofensa;

“Para a convenção do mundo, o perdão significa renunciar à vingança, sem que o ofendido precise olvidar plenamente a falta do seu irmão; entretanto, para o espírito evangelizado, perdão e esquecimento devem caminhar juntos, embora prevaleça para todos os instantes da existência a necessidade de oração e vigilância.

Aliás, a própria lei da reencarnação nos ensina que só o esquecimento do passado pode preparar a alvorada da redenção.” Emmanuel – do livro O Consolador, Item 340 – Edição FEB: 

Tolerar, cheio de boa vontade, qualquer fraqueza do próximo;

Se olharmos para a própria situação espiritual, vamos constatar que temos muitos defeitos, que precisamos da paciência e da tolerância dos outros; que precisamos de entendimento, carinho e tempo, para nos corrigir.

Nada mais justo que, se precisamos de tolerância, tolerarmos as falhas alheias com carinho e toda a boa vontade de que formos capazes.

Agora pensemos em Jesus: ele não precisa da tolerância de ninguém, mas nos tolera com amor há muitos séculos! 

Não procurar enxergar o defeito de ninguém;

Procurar enxergar o defeito das pessoas significa perder tempo e energia que poderiam ser usados com real proveito de outra forma: procurando enxergar as próprias mazelas.  Frequentemente procuramos enxergar as falhas de outrem para justificar nossas falhas e fracassos, o que não nos leva a lugar algum. Por outro lado, enxergar, reconhecer os defeitos de si mesmo é humildade e humildade abre os caminhos da evolução, da felicidade. 

Elevar, no mesmo instante, o pensamento a Deus por quem o ofender;

Em níveis inferiores de evolução, as ofensas desencadeiam no espírito reações automáticas de mágoa, revolta, vingança. Para elevar-se a patamares superiores é necessário modificar essa programação. Somente pelo exercício de substituição do mal pelo bem o espírito cresce. O esforço permanente de elevar, no mesmo instante, o pensamento a Deus por quem o ofender, possibilitará a libertação dos instintos de revide; abrirá caminho para a conquista das capacidades morais, da alegria e liberdade interiores. 

Não se magoar quando receber qualquer ofensa;

Ao sintonizar o pensamento e o sentimento com o bem e com a virtude, ao nos dedicar a aliviar os sofrimentos alheios, tornamo-nos menos sujeitos a mágoas. Conscientizando-nos que as ofensas podem ser transformadas em material para a própria iluminação,  poderemos superar a faixa de 'magoabilidade' e manter-nos serenos interiormente ante quaisquer ofensas. 

Não comentar o mal feito de quem quer que seja;

Comentar, falar levianamente diminuindo o conceito de uma pessoa perante outras pessoas é um mal que não tem justificativa. Em vez de comentar o mal, exemplifiquemos o bem e a virtude que entendemos esteja faltando ao próximo. 

Falar sempre no bem, no Evangelho e na moral do Cristo;

Palavra lançada é semente do bem ou do mal que mais cedo ou mais tarde deverá germinar em forma de pensamentos, sentimentos e ações em nós e nos outros. Somos responsáveis pela qualidade das sementes que espalhamos. Os ensinos e exemplos de Jesus são as mais puras e perfeitas lições morais que existem neste mundo. Cumpre-nos divulgá-las sempre das melhores formas possíveis. 

Não aceitar o "disse-que-disse", venha donde vier, para ter garantida a paz entre os irmãos;

Comentários repetidos por terceiros, podem dar uma conotação depreciativa a conversas inicialmente sem este sentido. Tais repetições raramente são isentas de alterações e interpretações dos comentaristas. Sempre que alguém disser que um ausente comentou negativamente sobre instituições e pessoas, precatemo-nos. Não podemos garantir, de imediato, a veracidade e autenticidade da mensagem. Quase sempre é preferível esquecer o comentário, ou alertar o comentarista sobre a gravidade de propalar o mal. Esse alerta não precisa necessariamente ser por palavras; uma postura de não receptividade, o silêncio e o exemplo, na maioria das situações são melhores do que palavras. 

Ter muita paciência, em qualquer experimentação;

A paciência é uma força da alma. Quem tem paciência usufrui das vantagens morais e, por vezes até materiais que a vida nos traz por meio das experiências e situações desagradáveis, constrangedoras ou dolorosas. 

Não falar, nem gesticular exaltado, agressivo, com ninguém, para não perder a boa assistência dos guias espirituais.

Desde que nos entreguemos ao mal, falemos com agressividade, impaciência, desdém ou exaltados, nós mesmos bloqueamos as ligações com nossos amigos e mentores espirituais. Se persistirmos na posição de agressividade e exaltação, certamente adquiriremos obsessões e, em consequência, atrairemos muitos males sobre nós.

Mas, os guias espirituais estão sempre a postos para nos ajudar e nos ajudam logo que nos coloquemos na posição de aprendizes interessados nas lições edificantes.  

"Perdoe sem condições. Irritar-se é o melhor processo de perder". - André Luiz

Autor: Isoláquio Mustafa (PE)

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